O ecossistema CapCad

Atualizado 2026-09-03

O CapCad não é uma caixa de comandos avulsos: é um jeito de organizar o projeto viário dentro do CAD. Quem entende as cinco ideias desta página usa qualquer comando do programa sem precisar decorar cada um deles.

  • O eixo é o centro de tudo. Estaca, lado, largura, velocidade: quase tudo que o CapCad desenha e quantifica é medido a partir do eixo ativo.
  • O desenho é o banco de dados. Cada placa, faixa ou defensa carrega os próprios dados dentro da entidade. Não há planilha paralela para desencontrar.
  • A norma é configuração, não código. O mesmo comando desenha conforme o CONTRAN no Brasil e conforme a norma local em outros países: quem muda é o perfil de país.
  • Estilo separa o que é do como aparece. A mesma placa se apresenta em BR-Legal 2 DNIT, CapCad Padrão ou CapCad Urbano sem ser redesenhada.
  • Um núcleo, cinco CADs. AutoCAD, BricsCAD, GstarCAD, ZWCAD e ARES Commander rodam o mesmo motor, com os mesmos resultados.

O projeto é maior que o desenho

Um projeto viário raramente cabe em um .dwg. São vários desenhos, um traçado, critérios de projeto, estilos de apresentação, bibliotecas de blocos e uma pilha de decisões que precisam valer para todos os arquivos ao mesmo tempo.

Por isso o CapCad trabalha com a ideia de projeto: uma pasta com um arquivo de configuração (project.config) ao lado dos desenhos. Ali ficam o eixo, os estilos escolhidos, os critérios, as pastas de trabalho e as preferências que todos os desenhos daquele projeto compartilham. Abrir outro .dwg da mesma pasta é continuar o mesmo projeto.

Quando não há pasta de projeto definida, o CapCad não trava: ele guarda o que precisa dentro do próprio desenho e segue funcionando. É o modo mais simples, bom para um estudo rápido, e é o que você perde ao usá-lo: as informações não são compartilhadas com os outros desenhos.

Veja O projeto CapCad.

O eixo é o centro

Em um projeto viário, "onde" quase nunca é um par de coordenadas: é uma estaca, um lado e um afastamento. O CapCad leva isso a sério. O eixo ativo é a referência que dá sentido a quase todo o resto:

  • Uma placa sabe em que estaca está, de que lado da via e a que distância do bordo.
  • Uma faixa é desenhada acompanhando o eixo, com as curvas e tangentes que ele tem.
  • As larguras, as faixas de tráfego e a faixa de domínio são medidas a partir dele.
  • As velocidades de projeto e os critérios são atribuídos por trecho do eixo.
  • Os relatórios saem ordenados por estaca porque é assim que a obra é executada.

É também por isso que vários comandos pedem um eixo ativo antes de começar: sem ele, não existe estaca para gravar nem direção para seguir. Definir o eixo é o primeiro passo de um projeto CapCad, não uma formalidade.

Veja O eixo, o Gerenciador de eixos e o Navegador de estacas.

O desenho é o banco de dados

Existe uma tentação comum em softwares de projeto: manter uma tabela separada com "os dados de verdade" e usar o CAD apenas para mostrar figuras. O resultado é conhecido: alguém move uma placa no desenho, a tabela não sabe, e a partir dali as duas versões brigam para sempre.

O CapCad faz o contrário. Cada entidade carrega os próprios dados. A placa guarda seu código, sua estaca, sua ação e suas coordenadas dentro do bloco inserido. A marcação guarda a que grupo pertence. Nada disso vive fora do arquivo.

Três consequências práticas:

  1. O desenho é portátil. Enviar o .dwg é enviar o projeto de sinalização, não uma figura dele.
  2. Dá para corrigir em lote. Quando o traçado muda, o Corrige sinalização vertical relê o que está no desenho e recalcula estacas, coordenadas e atributos de todas as placas de uma vez.
  3. Dá para reselecionar o que foi feito. Comandos que desenham em conjunto marcam o resultado com um identificador de grupo, e um comando de seleção traz tudo de volta depois, mesmo dias depois.

A norma é configuração

Uma linha de bordo tem 10 cm em um país e 15 em outro. Um zebrado tem afastamento livre de 1,10 m abaixo de 70 km/h aqui e outra regra ali. Um sinal de parada obrigatória é um octógono em quase todo lugar, mas o código, a família e a chapa mudam.

Nada disso está escrito no comando. Está no perfil de país ativo, que decide:

  • as predefinições das normas (larguras, espaçamentos, ângulos, cadências);
  • o catálogo de layers;
  • a pasta da biblioteca de placas e blocos;
  • o idioma do ribbon e das mensagens;

Trocar o país é trocar essa configuração inteira, sem trocar de programa e sem reaprender os comandos. É o que permite que o mesmo Assistente de zebrado desenhe conforme o CONTRAN no Brasil e conforme a instrução francesa na França.

Veja Perfis de país.

Layers com gramática

Layer no CapCad não é um nome livre: é uma frase com regras. SINA_HOR_AM_LFO4 se lê como "sinalização horizontal, amarela, linha de fluxo oposto 4". A partir do nome dá para saber o que a entidade é, e é por isso que a cor, o tipo de linha e a plotagem podem ser resolvidos automaticamente.

Os comandos nunca escrevem um nome de layer na mão: eles pedem ao catálogo de layers a camada correspondente ao papel que estão desenhando, e o catálogo — que muda com o perfil de país — devolve o nome, a cor e o tipo de linha corretos, criando a camada se ela ainda não existir. As cadências tracejadas viram tipos de linha gerados sob medida, com a proporção real do traço e do vão.

Veja Layers e o catálogo de layers.

Estilo separa o que é do como aparece

Uma placa R-1 é uma placa R-1 em qualquer projeto. O que muda de um projeto para outro é a representação: o padrão gráfico do cliente, a forma de mostrar o suporte, as cores de cada ação, o tamanho do texto de identificação.

O CapCad separa as duas coisas. O conteúdo pertence à placa; a aparência pertence ao estilo do projeto. Trocar de estilo é uma decisão de projeto, feita em um lugar só, e as próximas inserções já saem no novo padrão.

Veja Estilos.

Pré-visualização em vez de tentativa e erro

Boa parte dos comandos de desenho do CapCad é não modal e com prévia ao vivo: o formulário fica aberto ao lado do desenho, cada valor alterado apaga o resultado anterior e redesenha na hora, e só quando está bom você aceita. Nada de desenhar, desfazer, ajustar, desenhar de novo.

O Assistente Divisor, os zebrados, as travessias e os estacionamentos funcionam assim. É o mesmo princípio em todos: ver antes de gravar.

Um núcleo, cinco CADs

Todo o cálculo do CapCad — geometria, normas, layers, estilos, relatórios — vive em um núcleo único, independente do CAD. Cada CAD suportado (AutoCAD, BricsCAD, GstarCAD, ZWCAD e ARES Commander) entra apenas na hora de ler e escrever entidades.

Para quem usa, isso significa duas coisas: o resultado é o mesmo em qualquer um deles, e um projeto começado em um CAD continua em outro.

Do desenho ao relatório

Como os dados estão nas entidades e as posições são estacas, os quantitativos não precisam ser digitados: os relatórios leem o desenho. Placas por trecho, metragem de faixa por tipo, defensas por extensão, tudo sai do que está efetivamente desenhado, na ordem em que a obra vai encontrar.

É o fim natural da cadeia que começa no eixo: se o traçado está certo e o desenho está correto, o quantitativo está correto por construção.